Sarau Complexo de Samambaia se destaca no cenário artístico e cultural do Distrito Federal e Entorno

Reportagem: Élton Skartazini *

Em dezembro de 2012 o Sarau Complexo, pela implantação do Complexo Cultural Samambaia, realizado pelo Conselho Regional de Cultura, chegou à sua 42ª edição. Mas isso é pouco para quem quer conquistar o Complexo Cultural Samambaia. Por isso em 2013 os Saraus Complexos continuam, sempre na última sexta feira de cada mês.

Mas o Sarau Complexo é bem mais que a pura mobilização de artistas, sociedade e governo, pela implantação do Complexo Cultural Samambaia. É também importante laboratório e vitrine para músicos, atores, poetas, bailarinos, artistas plásticos, fotógrafos, cineastas, grafiteiros, artesãos e comunicadores desenvolverem seus trabalhos e aparecerem no universo artístico.

Dezenas de artistas de Samambaia, Recanto das Emas, Taguatinga, Ceilândia, Gama, Plano Piloto, Lago Norte, São Sebastião, Paranoá, Candangolândia, Sobradinho, Planaltina, Águas Lindas, Guará, Brazlândia, Formosa, Santo Antônio do Descoberto, etc., já se apresentaram nos Saraus Complexos.

A participação é voluntária, segundo a vontade e disponibilidade de cada um, motivada por interesses coletivos e particulares. A proposta é fazer e difundir arte e cultura enquanto se luta pela implantação do Complexo Cultural Samambaia.

Música é o que mais tem

Se valer a máxima ‘dançar conforme a música’, se dançou de várias formas nos Saraus Complexos. De estilos pop, rock e reggae apresentaram-se as bandas DF 130-2, Fagia, Válvula DZ6, Estereofonia, Via Satélite, Umbraum, Laiza Ribeiro, Diego Azevedo, Iso do Reggae, Lino Morais, Cálida Essência, Firmino, Us Blacks, Mambembrincantes, Haono Beko… O rap teve muitos expoentes: Coletivo Artsam, Coletivo Lado Ímpar, Dignidade Humana, Três Drão, PJL Rap, Daniel Black… Uns menos e outros mais conhecidos, mas cada um com seu potencial que, somado, surpreende!

Sertanejo, forró, pop romântico, pagode, samba e clássicos são estilos cultuados: Renatha Nayara (jovem e encantadora cantora), Ernando e Renan (sertanejos de raiz), Baiano Silva (couver do Amado Batista), Luna Marcoline, Adriano Lima, Chicão do Forró e Brasas do Nordeste, Mineirinho e Galega do Forró, JC do Acordeom, Mattheus Moura, Wilson Mesquita, Raiz Candanga, Di Bobeira, Sotaque de Raiz, Chinelo de Couro, Adri Santos, Lucas Expedito, Sintonia do Forró, Banda CBMDF, Coral Mirim Bombeiros Samambaia, Bateria Escola de Samba Dragões Samambaia… Ufa!

Alguns grupos têm nos Saraus Complexos sua principal referência e atuação artística. É o caso da banda DF 130-2 (leia-se DF cento e trinta menos dois), presente em 41 dos 42 Saraus Complexos. Alternativa, eclética e irreverente, usou os saraus como laboratório para, em dezembro de 2012 ganhar o prêmio de Melhor Banda Autoral no festival Prêmio Artista Popular, Recanto das Emas/DF. A cada show consolida seu espaço tornando-se referência de si própria.

Os técnicos de som e luz Sandro André, Reginaldo Gomes, Jadiel Telles, Meio Kilo e o DJ Xavier ainda na atingiram o máximo na atuação, por falta mesmo de estrutura e equipamentos que deverão existir no Complexo Cultural Samambaia.

Artes cênicas e dança

Há 15 páscoas o espetáculo Paixão do Cristo Negro envolve e emociona grande público em Samambaia, pela religiosidade, criatividade e grandiosidade. Nele se formam elencos de atores e bailarinos que participam dos Saraus Complexos. Alguns concluíram ou estudam artes cênicas na UnB ou na faculdade Dulcina de Moraes e integram os grupos Cobaia das Artes, Idiossincrasia, Almas de Vidro, Galpão do Riso…

Anos de realização sistemática tem proporcionado visibilidade aos já existentes, bem como o surgimento de novos grupos folclóricos. As quadrilhas juninas Si Bobiá a Gente Pimba e Êta Lasquera, duas das dez melhores do Brasil, existem há mais de uma década e, nos Saraus Complexos, confirmaram do que são capazes. Na dança, os Saraus Complexos também já foram brindados com o Bailão do Zé Muniz, Swing Brasil, BB Turbo, Michael Jeison, Balé Imaginário, Frevo Cobaia, Balé Isabem…

Mas destaque mesmo nos Saraus Complexos é a Cia Teatral Roupa de Ensaio, do Miguel Mariano, Marília de Abreu, Maria Clara e outros. Foi o bonequeiro Miguel Mariano quem, em março de 2009, levou o Conselho Regional de Cultura a iniciar a série de Saraus Complexos e ‘carregou o piano’ até o final de 2011, quando se afastou para cuidar do Espaço Imaginário Cultural, na quadra 406 de Samambaia. A combi do grupo serviu de transporte, cenário e camarim em quase todos os saraus já realizados.

A Roupa de Ensaio também motivou artistas e grupos de suas relações a participarem dos Saraus Complexos, como o Palhaço Fumaça que, quando vem, levanta o público que o aplaude e pede bis. Outros são grupos em formação: Cia Enquadrados, São Matheus da Terreira Divina e Nutra Teatro. Outros estão consolidados no Distrito Federal e fazem tournée pelo Brasil e o mundo: Circo Rebote, Cia Bagagem, Esquadrão da Vida, Mapati, Celeiro das Antas…

Gradativa e substancialmente se aproxima a Cia Teatral Cara de Palco, do Márcio Rodrigues e do Caco Martins, que realizam o Sarau do Bacurau no Recanto das Emas, gerando considerável integração com o Sarau Complexo. Nessa mesma linha integrativa está o Sarau Complexo no CCBB, no Sarau dos Saraus em Taguatinga, no Sarau Cultural da Estância Planaltina e recebeu os Radicais Livres, de São Sebastião.

Ah, poesia…

Na ‘pasta literatura’ do Conselho de Cultura de Samambaia e na programação dos Saraus Complexos, como na música, tem artistas de várias vertentes. Markão Aborígene, Lindinalva Gomes, Lília Diniz, Margô Oliveira, Gerson de Veras, Gislaine Neves, Máximo Mansur, Rêgo Júnior, Nicolas Bher, Garcia Caianno, Valter Sarça, Ruitter Lima, Vinícius Borba, Paulo Lima, Vera Braz, Solymar Cunha, Adélia Neri, Marina Mara… São nomes expressivos no ‘caldeirão de ideias’, nessa ‘sopa de letras’ que dá substância à arte de ler, escrever, falar, pensar…

Sempre presente, Luiz Vieira é cordelista erudito, vindo do Maranhão. Um ‘beletrista, um bardo’! A Lúcia Oliveira surpreende com sua ‘timidez espontânea e expansiva’, originalidade, coragem e persistência no plano de publicar seus livros. Domício Chaves, também filósofo, jamais havia encarado o público declamando suas poesias existenciais, expressionistas…

E como negar que foi poético o Acampamento Cultural realizado pelo Conselho de Cultura, em dezembro de 2011, no Centro Urbano de Samambaia? Uma semana debaixo da lona de circo do Mestre Zezito, com dezenas de artistas se apresentando e lutando pela área do Complexo Cultural. O objetivo foi alcançado em 20/12/2011, por designação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação – SEDHAB/GDF.

Artes visuais

As artes plásticas ainda são tímidas nos Saraus Complexos. Skartazini, J. Claud, Valter Sucata, Gersion de Castro, Roberto Carlos, Hud E. Urbano já expuseram seus trabalhos. Mas cautelosos, talvez pela falta de estrutura e segurança das obras. O mesmo vale para os fotógrafos Daniel Fama e Yanes Lima, que tiveram trabalhos destruídos pelo vento e pela chuva. Com o Complexo Cultural Samambaia isso haverá de se resolver.

Já os grafiteiros Rdoze, Miah e o Coletivo Artivistas tiveram participação mais marcante, porque é arte que se faz mesmo nas ruas e nos saraus encontram ambiente perfeito para serem realizadas ao vivo e a cores. Muitas cores… Que venham outros!

Experiências com projeções de imagens em movimento estão aquém do desejado, mas servem para mostrar o potencial latente. Trechos do filme ‘Periférico 304’ (longa metragem produzido em Samambaia), o vídeo ‘Conheço meu lugar’, reportagens do jornal Samambaia On-line, institucionais da Casa Azul e do Minc, ficção e protestos do Cine Clube Câmbio Negro, são alguns exemplos.

Os mais ou menos 200 artesãos da região, hoje agrupados na associação Q´lindo, apesar dos insistentes convites ainda não aderiram aos Saraus Complexos como vitrine para seus trabalhos. Mas muitas atrações artísticas indicadas pelo Conselho de Cultura de Samambaia abrilhantaram as feiras de artesanato que realizam na cidade.

Parceiros e apoiadores

A Administração Regional de Samambaia/GDF permite que os Saraus Complexos aconteçam nos espaços públicos e ajuda com as tendas, cadeiras e transporte, por meio da Gerência de Cultura e do empenho do gerente Nilson de Souza. O administrador Risomar Carvalho quer construir a primeira etapa do Complexo Cultural Samambaia ainda em 2013. Tem a favor o governador Agnelo Queiroz, o vice Tadeu Filippelli, os secretários Hamilton Pereira (cultura), Geraldo Magela (SEDHAB), parlamentares e demais autoridades.

A Secretaria de Cultura foi quem fomentou, ainda em 2007, a criação do Conselho de Cultura de Samambaia. Todos os anos vêm à cidade para conferir, em conferências, reuniões e seminários, que a necessidade e desejo prioritários por aqui é a implantação do Complexo Cultural Samambaia, capaz de abrigar o conjunto do fazer artístico e cultural da região. E faz elogios a esse movimento cultural organizado.

Na iniciativa privada se destaca o Colégio CCI, que cede espaço e fornece material de divulgação dos Saraus Complexos. O Home Center Castelo Forte divulga com matérias em seu site, folders, carro de som e outros pequenos gastos. O Imaginário Cultural empresta cadeiras e ajuda a compor a programação dos saraus.

Prefeituras Comunitárias e associações organizam a área e mobilizam os moradores para assistirem aos saraus. A Folha, Ímpares em Notícia, Tribuna de Samambaia, Rádio Ativa FM, Rádio Popular FM, TVN Brasil, Parceiros do DF/TV Globo, SBT, Band, Record, Correio Braziliense, Jornal de Brasília,  Jornal da Comunidade e demais veículos de comunicação abrem espaço para os releases e matérias dos Saraus Complexos.

PMDF, CBMDF, SLU e Escola Classe 501 ajudam muito. Na lista de apoiadores diretos e indiretos consta ainda a Fox Som e Luz, THN Som, Neuroze Skate, Juventude em Ação, Sítio Gerânium, IACC, Brasil Vivo, Isabem, RG Eventos, SIMPRO, Paula Festas, Colégio Século XXI, ACISA, Samambaia Tintas, Gradebras Estruturas Metálicas, Morart Materiais de Construção, Supermercados…, Panificadoras…

Enfim

Vistos eleitoreiramente os Saraus Complexos são insignificantes, pois “não reúnem nem duzentos eleitores”, dirão. Do ponto de vista financeiro “isso não dá lucro nenhum”, dirão. Mas no contexto do movimento cultural organizado, sistemático e construtivo, gera credibilidade e envolvimento, fomentando talentos e valorizando a arte, patrimônio imaterial de valor inestimável.

Do ponto de vista social, gera inclusão, relacionamentos, civilidade e cidadania. Sempre há muita felicidade e nunca se registrou nenhum ato de violência nos Saraus Complexos. E o que diria Paulo Freire dos Saraus Complexos enquanto instrumento de educação social humana?

Falou-se tudo isso para que cada um compreenda a dimensão da coisa e forme seu próprio juízo. Apresentou-se a lista quase completa de grupos e artistas, por linguagem e participação efetiva.  Sem engano, salvo pequenos lapsos da memória!

Falou-se também dos parceiros e apoiadores dos Saraus Complexos e do Conselho de Cultura de Samambaia, para que se motivem e se multipliquem. E que em 2013 se faça tudo, tudo novamente, para fazer diferente! Já no Complexo Cultural Samambaia!

*Élton Skartazini – (61) 9908.4963
Jornalista, artista plástico e conselheiro de cultura de Samambaia/DF
Reportagem escrita em 08/01/2013.

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